O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na transferência de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de um indivíduo para outro, a fim de compensar ou substituir uma função perdida.
Sendo assim, no transplante de rim implanta-se um rim sadio em um indivíduo portador de insuficiência renal terminal. Esse novo rim passará a desempenhar as funções que os rins doentes não conseguem mais manter.
Quem pode ser transplantado?
Só pode ser indicado em pessoas que têm prejuízo irreversível e grave das funções renais. Após a indicação do transplante, o paciente é submetido a uma avaliação clínica que inclui vários exames.
Quem pode ser doador?
Qualquer pessoa adulta que seja saudável, tenha função renal normal e não apresente, durante extensa e minuciosa avaliação médica, evidências de risco de doença renal ou de outros órgãos vitais após a doação, podeser doadora desde que demonstre esse desejo espontâneo.
Para o doador, a falta de um rim modifica muito pouco sua vida, já que a ausência de um rim será compensada pelo outro órgão sadio. O rim doado pode representar muito para o receptor.
A doação por parte de indivíduos que apresentem distúrbios psiquiátricos, abuso de drogas, idade muito avançada ou portadores de câncer é contra-indicada.
Tipos de doador
Um transplante renal pode ser realizado a partir de
doadores vivos ou doadores falecidos.
No primeiro caso, o doador passa a viver com apenas
um rim, o que é perfeitamente compatível com uma vida
normal. Quando o doador é vivo e tem parentesco próximo
com o receptor, os resultados do transplante são
superiores àqueles que se obtêm com rim de doador
falecido. Doação de rim entre parentes é permitida pela legislação brasileira até o quarto grau de parentesco entre
cônjuges, desde que o doador seja maior de idade,
tenha grupo sangüíneo compatível e testes de compatibilidade
imunológica adequados.
É necessário que o doador vivo cumpra os seguintes
requisitos:
- Encontre-se em bom estado de saúde física e mental;
- Tenha compatibilidade sangüínea com o receptor;
- Realize todos os exames preconizados para este tipo
de cirurgia;
- Tenha mais do que 21 anos;
- Tenha passado pelo estudo imunológico;
- Seja um doador voluntário.
Indivíduos falecidos (pacientes que vão a óbito em
quadro de morte encefálica), desde que se obtenha a
autorização familiar, podem ter seus órgãos doados para
receptores compatíveis e podem salvar inúmeras vidas.
Cabe à família do paciente falecido dar a autorização
para a doação de órgãos e tecidos. Pessoas não
identificadas ou com causa de morte não esclarecida
não podem ser doadoras. É necessária compatibilidade
de tipo sangüíneo e de sistemas imunológicos entre o
doador e o receptor para evitar que o rim implantado seja
imediatamente rejeitado.
Legislação vigente
A primeira lei que regularizou o transplante de órgãos
foi a n.0 4.280/63. Em janeiro de 1998 entrou em vigor a
Lei n.0 9.434/97, que ampliava os critérios da doação em
vida. Ela permitia que qualquer pessoa juridicamente
capaz pudesse doar para transplante um de seus órgãos
duplos, desde que a doação não comprometesse a sua
saúde e que fosse de forma gratuita.
Resumidamente essa lei determina
- Proibição da comercialização de órgãos;
- Definição dos critérios para a doação (doador vivo e
falecido);
- Punição para os infratores;
- Exibição pública da lista de espera;
- Proibição de doação por pessoa não identificada (sem
documentos) ou sem autorização familiar.
Em 23 de março de 2001, foi editada a Lei n.0 10.211,
que no seu Art. 9.0 diz:
“É permitido à pessoa juridicamente capaz dispor gratuitamente
de tecidos, órgãos e partes do corpo vivo para
fins terapêuticos ou transplantes em cônjuges ou parentes consangüíneos até o quarto grau (pais, filhos, irmãos,
avós, tios e primos), ou em qualquer outra pessoa, mediante
autorização judicial”.
Lista de espera
Atualmente, os centros de transplante encontram-se
bem equipados e possuem equipes treinadas para reduzir
cada vez mais as longas filas de espera por um transplante
renal. O fator limitante (tanto no Brasil como em
outros países) é a carência de órgãos para atender às
necessidades dos pacientes portadores de insuficiência
renal crônica. O aumento da prevalência na população
geral de doenças como hipertensão arterial e diabetes, e
também o envelhecimento da população, fazem com
que essa fila cresça constantemente.
Cabe à equipe transplantadora avaliar os pacientes renais
crônicos e estabelecer quais os que têm condições
de receber um transplante. Aqueles que já foram avaliados
e incluídos em lista para transplante com doador falecido podem ser chamados a qualquer momento, por
isso é muito importante que sejam facilmente localizados,
mantendo o endereço residencial e telefones
atualizados, e que estejam em boas condições para a
cirurgia. Esse período de espera é variável e depende da
oportunidade de surgir um doador que seja aceito pela
equipe de transplante e compatível com o receptor.
* Programa de Transplante de Rim: no prazo de 90
(noventa) dias após o início do tratamento dialítico, as
unidades de diálise devem obrigatoriamente apresentar
ao paciente apto, ou ao seu representante legal, a opção
de inscrição em uma equipe de transplante renal. É a
Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos
– setor da Secretaria de Estado da Saúde – a responsável
pelo recebimento das inscrições que são encaminhadas
pelas equipes de transplante, armazenando
os dados de todos os pacientes em espera. É ela também
que recebe as informações sobre doadores e realiza
a seleção dos pacientes para distribuição dos órgãos de
doador cadáver. No Brasil, há leis que regem as listas de
transplante e os critérios de distribuição de órgãos, que
são sempre técnicos e médicos.
Seleção do doador
O melhor doador de rim é aquele que, além da compatibilidade
do tipo sangüíneo, tenha os antígenos de
histocompatibilidade (HLA) – compatibilidade do tecido
– mais semelhantes aos do receptor. Assim, os melhores
doadores são os irmãos gêmeos univitelinos, que
são raros. Em segundo lugar na preferência para a doação,
vêm irmãos e/ou irmãs com antígenos de
histocompatibilidade idênticos. Por último estão os doadores
distintos imunologicamente.
O transplante de doador vivo é um processo que
segue, normalmente, os seguintes passos:
- São afastadas as contra-indicações de ordem física e
de fundo emocional;
- Compara-se o grupo sangüíneo do doador com o do
receptor, que devem ser compatíveis;
- Realiza-se a prova-cruzada (cross-match) para avaliar
se existem anticorpos no receptor dirigidos contra
os antígenos do doador, que possam causar rejeição
imediata;
- Verifica-se a compatibilidade (HLA), semelhança entre
o receptor e o doador;
- Estuda-se o doador para verificar se ele pode doar
sem prejuízos para a sua saúde e se não tem alguma
doença transmissível;
- Inicia-se, antes da cirurgia, o tratamento do receptor
com drogas imunossupressoras.
Para o doador em morte encefálica há uma rotina e
um protocolo nacionais que são seguidos rigidamente
pelas equipes de captação. Os principais passos são
os seguintes:
- Constatar a morte encefálica e obter a autorização da
família;
- Afastar qualquer doença que inviabilize o transplante;
- Reconhecer a viabilidade do órgão a ser doado;
- Realizar as provas de compatibilidade;
- Procurar o receptor mais adequado;
- Enviar o órgão ao local da cirurgia do receptor.
É muito importante, tanto para o transplante com
doador vivo quanto com falecido, que o sangue e os
tecidos sejam compatíveis. Essa semelhança evita que
o sistema de defesa imunológica do receptor estranhe
o novo rim e o rejeite. Tal compatibilidade é determina-da por vários fatores: tipo sangüíneo (ABO), antígenos
de histocompatibilidade (HLA).
Principais exames pré-transplante
- Tipagem sangüínea: verifica a compatibilidade dos
tipos de sangue do doador e do receptor.
- Tipagem (análise do HLA): exame realizado nos
leucócitos ou células brancas do sangue. A tipagem
identifica a compatibilidade (características similares)
entre os indivíduos. O fato de receber um órgão de
uma pessoa com características similares (ou antígenos
semelhantes) pode aumentar o êxito do transplante.
- Prova-cruzada de linfócitos (cross-match): revela
se o receptor tem anticorpos dirigidos contra os
antígenos do doador e se rejeitará o órgão. Prova-cruzada
positiva: significa que existem anticorpos e pode
ocorrer uma forte reação entre doador e receptor (é
provável que o receptor rejeite esse rim). Nesse caso o
transplante é em geral contra-indicado.

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